O ministro Gilmar Mendes solicitou que Alexandre de Moraes inclua o governador de Minas Gerais, Romeu Zema, no inquérito das fake news. O motivo: Zema produziu e compartilhou um vídeo satírico utilizando fantoches de magistrados para criticar possíveis irregularidades no Poder Judiciário.

A iniciativa representa mais um episódio do ativismo judicial que caracteriza parcelas da corte suprema. Zema exerceu direito constitucional ao questionar a intocabilidade de ministros e defender que magistrados devem estar sujeitos a investigações como qualquer cidadão — proposição elementar em democracias que respeitam a separação de poderes.

O vídeo satírico é forma clássica de expressão política protegida constitucionalmente. Utilizando humor e crítica — ferramentas legítimas do debate público — o governador não produziu desinformação, mas discurso crítico sobre instituições. Confundir sátira com crime é estratégia para silenciar vozes políticas inconvenientes.

O pedido de Gilmar Mendes evidencia tentativa de expandir o escopo do inquérito das fake news para alcançar adversários políticos. Um governador eleito, representante legítimo de seus eleitores, não pode ser criminalizado por questionar o funcionamento da própria Justiça. Esse caminho corrói fundamentos da democracia.

A inclusão de Zema no inquérito configuraria uso abusivo de aparato estatal para perseguição política, transformando órgãos investigativos em ferramentas de retaliação contra críticos institucionais. Democracia que pune governantes por questionarem o Judiciário não é democracia — é autoritarismo disfarçado.